Crédito cresce em março no Bradesco

A concessão de empréstimos, que começou o ano em marcha lenta, em março já mostrou reação muito positiva no Bradesco. “Se o ritmo for mantido, nossas previsões de crescimento da carteira para este ano, entre 12% e 15%, devem ser atingidas”, disse ontem a jornalistas o presidente da instituição, Luiz Carlos Trabuco Cappi, na abertura do Brazil Investment Forum promovido pelo banco pela primeira vez em São Paulo.
O executivo disse que depois de uma rodada de reuniões com todos os gerentes do Bradesco pelo Brasil afora, percebeu que a conjuntura é bem mais favorável do que estudos de economistas têm apontado. Junte-se a isso uma inadimplência historicamente baixa— a menor registrada pelo banco, diz Trabuco Cappi – e o menor apetite dos bancos públicos, o Bradesco está disposto a “subscrever um pouco mais de risco” nas operações ou seja, aceitar correr mais riscos emprestando mais.
O Bradesco divulga seus resultados no próximo dia 24 e, como tem ações na Bolsa, não pode adiantar resultados. Mas Trabuco Cappi diz que a tendência da inadimplência, daqui para a frente, é de estabilidade. Em relação às provisões contra calotes, o executivo também confirma que ficarão estáveis — estavam em R$ 21,687 bilhões em dezembro. A inadimplência acima de 90 dias fechou o ano em 3,4%
As reuniões realizadas com os gerentes foi uma estratégia para medir a temperatura dos negócios e tentar antecipar a demanda por crédito, principalmente em regiões do agribusiness, fora dos grandes centros, onde a competição é grande, explicou Trabuco Cappi. “Recentemente recebi de um cliente dono de uma construtora a demanda por uma nova agência em Canaã, no Sul do Pará. Tem uma emergência lá – a cidade, que foi criada quase como canteiro de obras, já tem hoje 15 mil pessoas”.
O banco decidiu ampliar a presença em regiões “onde o Brasil pulsa com maior frequência: o agronegócio irriga os negócios”, disse. “Nessas regiões podemos ser um pouco mais elásticos em termos de subscrição de riscos, aceitar mais riscos, apostar mais no futuro do país, não nos contaminar por notícias da conjuntura que podem embaçar a visão”.
Trabuco Cappi lembra que, em 2013, terminamos imaginando um crescimento de 1,7% da economia, que acabou em 2,1%: “Não é exuberante, mas indica que, em 2014,2% é um piso”, diz.
O Bradesco ampliou sua carteira de crédito para clientes do segmento de micro e pequenas empresas de R$ 128 bilhões para R$ 135 bilhões, crescimento de 6%. As linhas disponibilizadas pelo banco no segmento tem taxas a partir de 1,86% ao mês e prazos de até 36 meses. O Bradesco tem hoje 1,4 milhão de clientes comeste perfil. A carteira de crédito das micro e pequenas empresas já supera a carteira de pessoa física que estava em R$ 130,7 bilhões em final de dezembro. A carteira total de crédito do banco foi de R$ 427,2bilhões em2013, crescimento de 10,8%em relação a 2012.
“Quando os cenários ficam muito nebulosos, a administração dos riscos é feita de forma mais cautelosa. Hoje, olhando o cenário, vimos que temos mais confiança para aumentar o crédito do que imaginávamos em dezembro de 2013”, afirma.
“O ‘direcional’ do Brasil é positivo, temos que caminhar para uma sociedade de consumo, afluente – este é o desejo de todos. Isso já está acontecendo, e logo teremos de ter milhares de novas empresas para atender esse mercado consumidor afluente”, disse. Para ele, o crescimento do crédito em março é reflexo do mercado interno, do emprego e renda que ainda estão em alta – e a demografia ajuda criar esse pleno emprego. “O empresário não quer ficar fora de qualquer oportunidade de crescimento”, nota.
Os investimentos derivados das concessões de obras de infraestrutura também estão na conta que compõe a previsão de aumento do crédito no Bradesco em até 15%. “Tem muito projeto por aí, ou maturando ou já iniciando seu ciclo de investimentos”, diz (leia mais sobre a participação do Bradesco nos financiamentos para a infraestrutura na página ao lado). Mas o executivo diz que não vai revisar para cima suas previsões oficiais de aumento do crédito em 2014 agora – talvez mais para o final do ano.
Em relação a spreads (diferença entre o que o banco cobra dos tomadores de crédito e o que paga para os investidores) não podem cair por enquanto. “A alta da taxa básica de juros representam um custo para o país e para o banco – embora seja um custo necessário neste momento. A revisão dos spreads está condicionada à voltada quedadas taxas, ao começo de um novo ciclo de afrouxamento monetário”.
O presidente do Bradesco falou, ainda, que o crescimento dos bancos públicos nos últimos anos foi “adequado à política macroeconômica anticíclica do governo”. Mas, segundo Trabuco Cappi, há limites e o modelo chegou a sua exaustão. “Os bancos privados não tem acesso a recursos baratos como os do Tesouro e fundos sociais, que desequilibram a competição. Mas sinto que a partir de 2014 a competição voltará a ficar mais uniforme. A tendência é de que esse funding seja menos abundante, afinal a ênfase do governo gora é no ajuste fiscal—e para isso, será preciso administrar com mais cautela o funding público”.
Para o presidente do Bradesco, o processo eleitoral vai mais uma vez provar a qualidade da democracia brasileira. “Eleições diretas e livres é um bônus, um ganho que fortalece a imagem do Brasil”, diz. “O Brasil tem vários bônus”, acredita.
Sobre os julgamento dos expurgos da inflação dos rendimentos da poupança durante os planos econômicos, Trabuco Cappi disse que está satisfeito com o debate. “Eles aconteceram há 30 anos, tiveram a intenção de acertar, e agora estão aí para serem julgados. As audiências promovidas pelo Supremo Tribunal Federal expandiram a consciência sobre a questão. Tenho a expectativa deque será um julgamento histórico”.

Fonte: Brasil Econômico / Léa De Luca – 08.04.14