Bradesco tem lucro de R$ 3,8 bi no 2º tri

Apesar do ambiente macroeconômico pouco favorável, de fraco crescimento—e apesar de um ligeiro repique nos índices de atrasos—, dois dos maiores bancos privados do país, Bradesco e Santander, conseguiram aumentar os lucros no segundo trimestre.
O resultado líquido ajustado (sem considerar efeitos extraordinários) do Bradesco ficou em R$ 3,8 bilhões no período, o equivalente a uma alta de 9,5% em três meses e de 27,7% em relação ao segundo trimestre do ano passado. O crédito, contudo, continua andando de lado. No Bradesco, depois de subir apenas 1,6% no primeiro trimestre em relação ao último de 2013, agora subiu mais 0,6%, para R$ 435,2 bilhões, no conceito ampliado. Em termos anuais, a alta é de 8,1%.
O Santander, depois da queda de 1,54% no primeiro trimestre, agora registrou alta de 1,6%, para R$ 279,7 bilhões; no ano, a alta foi de 4,9%. A filial do banco espanhol no Brasil também obteve ganho de 0,6% em três meses e de 1,9% em 12 meses no lucro líquido ajustado, que fechou o segundo trimestre em R$ 1,4 bilhão.
“O resultado mostra o equilíbrio que alcançamos, que é fruto de esforços para atingir maior eficiência e competitividade, reforçando a qualidade da carteira de crédito. Foi o que deu resiliência ao Bradesco”, disse ontem em teleconferência com jornalistas o presidente da instituição, Luiz Carlos Trabuco Cappi, lembrando que a rentabilidade sobre o patrimônio ficou em 20,7% ao ano, a melhor em oito trimestres. “Continuamos optando pelo crescimento orgânico, buscando reduzir o custo de servir com a mesma qualidade para os clientes”, afirmou.
Apesar da pequena alta do crédito, Trabuco Cappiman teve a expectativa de crescer 10% sua carteira de crédito em2014. “O Brasil tem crescimento latente, um PIB potencial que vai acabar se desenvolvendo na hora adequada. Somos confiantes e positivos”, disse. Para ele, a demanda tende a crescer no segundo semestre.
“Podemos destacar positivamente o bom controle sobre despesas, e a evolução da margem financeira gerencial (14%), com margem de juros 12,2% superior”, escreveu em relatório a analista Karina Freitas, da Concórdia.
Jesús Zabalza, presidente do Santander, também se diz confiante no futuro—mas para o banco as esperanças estão depositadas em 2015. “Será um ano melhor que este”, afirmou. Zabalza diz que está trabalhando em várias frentes para melhorar o que o banco chama de “vinculação de clientes” e, também, na qualidade dos serviços prestados. Ontem, o banco confirmou a aquisição do negócio de crédito consignado do banco mineiro Bonsucesso (leia na página ao lado). E prometeu novidades na área de pequenas e médias empresas, segmento que o banco considera fundamental para seu negócio e onde vem investindo. Neste ano, por exemplo, pagou R$ 1,1 bilhão pelo controle da empresa credenciadora de cartões GetNet, da qual era sócio desde 2010. Ontem, o Banco Central e o Cade aprovaram a operação. Zabalza atribuiu à reformulação da área de atendimento às PMEs no Brasil o fraco resultado no trimestre: os créditos para esses clientes caíram 1,9% em três e 12,1% em 12 meses. “Optamos por não crescer a crescer mal”, afirmou o presidente do Santander. Conforme antecipou Brasil Econômico no começo deste mês, o Santander vai lançar nos próximos meses um pacote de serviços e produtos específico para pequenas e médias empresas, batizado como “Advance”. “Tenho R$ 44 bilhões que gostaria de aplicar no crescimento das operações de crédito com clientes bons”, disse.
No Bradesco, os empréstimos para PMEs também engataram a marcha-à-ré, caindo 0,5% no trimestre (embora ainda conservem modesta alta de 3,6% no ano). Segundo Trabuco Cappi, a queda não se deve a uma redução da oferta, ao contrário: segundo o executivo o banco já colocou à disposição desses clientes R$ 28 bilhões em linhas de crédito pré-aprovadas para empresas com faturamento até R$ 3,8 milhões por ano – mas só 10% foi usada até agora. O diretor de relações com investidores do Bradesco, Luiz Carlos Angelotti, disse também que houve um “efeito migração”: como aumento no faturamento muitas empresas pequenas foram “promovidas a grandes” levando para o segmento corporate cerca de R$ 9 bilhões em empréstimos.
A inadimplência também deu sinais de ligeira piora, em ambos os bancos: no Bradesco, passou de 3,4% no primeiro trimestre para 3,5% no segundo enquanto no Santander saiu de 3,8% para 4,1%. Os dois presidentes não demonstraram, porém, preocupação como fato. “Não existe nenhuma tendência da inadimplência mudar de patamar”, disse Trabuco Cappi. “Foi um repique de algumas operações antigas, mas as novas safras de empréstimos já estão com qualidade melhor”, informou Zabalza, acrescentando que a alta pode ser atribuída também ao efeito estatístico de menor crescimento do crédito.
 
Fonte: Brasil Econômico / Léa De Luca – 01.08.14