Bradesco dribla crédito fraco com controle de gasto

Ainda à espera de dias melhores para o crédito, foi a partir de outras estratégias que o Bradesco alcançou um lucro líquido de R$ 3,44 bilhões no primeiro trimestre, valor 18% superior àquele registrado em igual período do ano passado.
Segundo maior banco privado do país, o Bradesco concentrou-se nos empréstimos menos arriscados, no controle de despesas e na venda de produtos bancários para atingir um resultado que superou a expectativa dos analistas.
O crédito ainda custa a ganhar vigor. O estoque de empréstimos do Bradesco encerrou março em R$ 432,3 bilhões, com crescimento de 10,4% em 12 meses e de 1,2% no trimestre.
O número, que leva em consideração o crédito no formato tradicional mais avais, fianças e títulos privados, foi conquistado principalmente por um empréstimo de R$ 4 bilhões para a Petrobras. A operação, revelada pelo Valor no início de abril, foi financiada com recursos da caderneta de poupança. Crédito imobiliário e consignado também contribuíram.
Um ano atrás, o saldo de empréstimos do banco crescia de forma mais acelerada, com 11,6% de alta no ano e 1,6% em três meses. No começo de 2014, a expectativa dos bancos privados era de que a desaceleração no ritmo de desembolsos das instituições públicas abriria espaço para um crescimento mais forte de suas carteiras até o fim do ano.
Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, diz que o banco tem sentido sinais de uma retomada na demanda da clientela desde o mês passado. “Isso sinaliza que teremos mudança de patamar até o fim do ano”, disse o executivo em teleconferência com jornalistas ontem.
Por conta desse aquecimento, o banco prevê que encerrará 2014 com uma expansão em torno de 12% da carteira, no centro do intervalo da expectativa divulgada a investidores, de 10% a 14%.
Enquanto essa meta não se concretiza, o Bradesco tem atuado em outras frentes para impulsionar o resultado. Desembolsos mais focados em produtos com garantia, além de uma aprovação mais rigorosa do crédito, levaram a um recuo da inadimplência pelo sétimo trimestre consecutivo.
A partir dessa estratégia, as despesas do banco com provisão para devedores duvidosos recuaram 8% em relação ao primeiro trimestre de 2013, para R$ 2,86 bilhões.
O índice de atrasos acima de 90 dias encerrou março em 3,4%, com queda de 0,1 ponto percentual ante janeiro e de 0,6 ponto percentual na comparação com março de 2013. Até o fim do ano, o Bradesco avalia que o indicador de calotes se manterá estável, ou até com uma certa tendência de queda.
Outras despesas do banco também se mostraram comportadas. Os gastos administrativos e com pessoal somaram R$ 6,765 bilhões no primeiro trimestre, com alta de 3,9% sobre o mesmo período do ano passado. O crescimento ficou abaixo da inflação do período. O Bradesco “entregou um trabalho muito bom na frente dos custos”, avaliaram os analistas do BTG Pactual.
Não foi, porém, apenas com a redução dos gastos que a instituição alcançou o resultado do primeiro trimestre. Uma base de 760 mil novos clientes pagantes de tarifas e mais receitas com cartões de créditos também pesaram para o desempenho do Bradesco.
No total, as receitas de prestação de serviços somaram R$ 1,89 bilhão, 14,95% maiores em relação a igual período de 2013. Com isso, superaram a previsão dada pelo banco para a expansão no ano, que é de um intervalo entre 9% e 13%.
Na bolsa de valores, o resultado do Bradesco animou os investidores. Os papéis preferenciais encerraram ontem cotados a R$ 33,6, com valorização de 1,81%. No dia, o Ibovespa teve alta de 0,48%.
Em relatórios, apesar dos elogios à performance do banco, os analistas afirmaram que a margem financeira do Bradesco continua sob pressão. O banco teve um ganho de R$ 10,96 bilhões, com alta de apenas 2,4% em um ano. O spread ficou em 7,1%, com queda de 0,1 ponto percentual ante o primeiro trimestre do ano passado.
Fonte: Valor Econômico / Carolina Mandl / Fabiana Lopes – 25.04.14