O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, afirmou ontem que as operações de crédito mostraram aquecimento a partir de março, depois de terem começado o ano em ritmo mais lento.
Se a recuperação for consistente, disse o executivo, o desempenho da carteira de crédito do banco deverá alcançar a meta traçada para 2014. A estimativa do Bradesco é de crescimento de 12% a 15% do portfólio neste ano. O vice-presidente do Bradesco Sergio Clemente afirmou que a carteira de crédito para pessoas jurídicas deve ter crescimento em torno de 10% neste ano – dentro da projeção traçada pelo banco, que vai de 9% a 13%.
Os executivos conversaram com jornalistas durante o “Brazil Investment Forum”, evento para investidores promovido pelo Bradesco nesta semana em São Paulo.
Trabuco afirmou ainda que, a partir deste ano, espera que a competição entre bancos públicos e privados se torne mais equilibrada. “Os bancos públicos são adequados a políticas anticíclicas. Mas isso tem um limite e eles estão sendo atingidos agora”, afirmou. Segundo ele, o crescimento das operações de crédito nos bancos públicos nos últimos anos foi adequado à política macroeconômica, mas a tendência é que haja uma convergência para a média geral.
O executivo destacou também que a inadimplência está no menor nível histórico e a expectativa é que se mantenha baixa. Apesar disso, as provisões para devedores duvidosos devem permanecer estáveis, afirmou.
O presidente do Bradesco disse que saiu otimista de uma rodada de encontros com mais de 800 gerentes da área de crédito espalhados pelo país, concluída na sexta-feira. Segundo ele, muitas vezes há uma distância entre as projeções macroeconômicas e a economia real. “O sentimento é que podemos mais. Sentimos o pulsar do mercado interno, que hoje faz com que o mercado brasileiro tenha o menor nível de inadimplência, tanto de pessoa física como jurídica”, destacou.
Com o objetivo de avançar nas operações para companhias menores e fora dos grandes centros urbanos, o Bradesco ampliou em R$ 8 bilhões, na semana passada, o limite de crédito para micro e pequenas empresas.
Apesar do tom positivo, Trabuco disse que, por enquanto, não está prevista uma revisão das projeções para a carteira de crédito. “Se houver, será mais na metade do ano”, afirmou.
Também não está prevista, neste momento, uma redução nos spreads bancários – que medem a diferença entre o custo de captação das instituições e o que os clientes pagam. Segundo Trabuco, a alta da taxa básica Selic foi necessária, mas teve impacto nos custos dos bancos. “[A queda dos spreads] vai estar mais condicionada agora quando a taxa refluir, quando começar a haver um afrouxamento [monetário]”, disse.
Segundo os últimos dados divulgados pelo Banco Central (BC), a taxa média de juros nas operações de crédito com recursos de livre aplicação pelos bancos subiu de 30,7% em janeiro para 31,5% ao ano em fevereiro. O spread passou de 18,9 pontos para 19,7 pontos percentuais no período.
 
Fonte: Valor Econômico / Fabiana Lopes / Talita Moreira – 08.04.14