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A primeira crise no crédito consignado desde que foi regulamentado, há 13 anos, não arranhou os balanços das instituições financeiras no segundo trimestre, mas deve afetar os resultados de alguns bancos nos próximos seis meses. Expectativas do próprio setor já dão como certo que atrasos de parte dos pagamentos do consignado nos últimos meses devem elevar as provisões para esse tipo de empréstimo.

         “É claro que vai machucar um pouco os resultados do segundo semestre de alguns bancos, mas isso está longe de um risco sistêmico. Os atrasos serão provisionados e, no ano seguinte, recuperados e revertidos”, diz uma fonte do setor. Nada nem próximo, diz essa fonte, do tamanho da dívida de uma Odebrecht com os bancos.

         A maior dor de cabeça dos bancos é com o Estado do Rio de Janeiro. Com dificuldades em suas contas, o Estado deve R$ 500 milhões às instituições financeiras, segundo estimativa da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que suspendeu a concessão de crédito aos servidores ativos e inativos em meados de agosto. Com situação fiscal também deteriorada, estima-se que o Rio Grande do Sul deva aos bancos cerca de R$ 200 milhões.

         A Febraban não comenta o assunto. Já a Fazenda do Rio, cuja folha de salários já foi do Itaú e agora está com o Bradesco, reconhece o atraso em parcelas de março e abril em razão de arrestos no caixa do Estado, mas diz que a situação está sendo regularizada.

         A percepção do mercado é que essa regularização não vai acontecer tão rapidamente, mas que em algum momento os Estados vão ter de pagar o que devem. Por outro lado, a depender da evolução do problema, uma desaceleração no ritmo de concessões ou uma alta mais forte nas taxas não estariam descartadas.

         “Talvez o crédito não seja tão barato assim no futuro”, diz Claudio Gallina, diretor responsável por instituições financeiras da Fitch. Sarah Bretones, da MCM Consultores, diz que o ajuste não será nas taxas, mas na oferta de crédito nessa categoria. “No entanto, como o problema é localizado, a perspectiva para o consignado total não deve ser afetada de forma importante. Agora, caso mais Estados deixem de cumprir obrigações, poderemos ter sérios problemas nessa modalidade no médio prazo”, diz.

         Em seu balanço, o BB, um dos poucos bancos a detalhar esse tipo de informação, já mostra uma elevação das taxas médias cobradas no consignado, de 1,78% para 1,86% em 12 meses até junho. A inadimplência da carteira acima de 90 dias, no entanto, caiu no período de 1,32% para 1,25%.

         O Paraná Banco atribuiu a alta com despesas de provisão no segundo trimestre do ano ao atraso das operações do convênio com o Rio. A despesa de provisão para devedores duvidosos do banco, cuja carteira é 80% voltada para o consignado, chegou a R$ 40,9 milhões, alta de 10% ante os gastos de abril a junho do ano passado e de 14,7% em relação ao primeiro trimestre. O índice de inadimplência acima de 90 dias da carteira de crédito como um todo subiu 0,6 ponto percentual sobre março e 1 ponto em relação a junho de 2015, para 2,7%.

         O problema com o consignado é pequeno se comparado ao total da carteira dos bancos e não representa um risco para o setor bancário, diz Bruno Lavieri, economista da 4E Consultoria. “Até por isso, não se vê uma reação mais forte por parte dos bancos”.

         Por enquanto, também não é possível enxergar uma retração expressiva na linha. O estoque de crédito consignado para servidores públicos subiu 5% sobre junho do ano passado, para um total de R$ 171,4 bilhões, cerca de 9% do saldo de crédito total do país. Na mesma base de comparação, as concessões caíram cerca de 10%, as taxas médias cobradas subiram de 25,71% ao ano para 27,46%, mas a inadimplência foi de 2,18%, o mesmo percentual de junho de 2015.

         Nos balanços do segundo trimestre, justamente os meses em que o problema se tornou mais agudo, o empréstimo com desconto em folha, na verdade, acabou impedindo que as carteiras de crédito pessoal dos bancos derrapassem de vez. No Itaú, o consignado e o imobiliário foram as únicas duas linhas com crescimento. A alta do consignado foi de 2,1% no segundo trimestre sobre o ano anterior, para um saldo de R$ 46,5 bilhões — 61,8% do crédito pessoal do banco, que detém a maior carteira de consignado entre os privados.

         No caso do BB, que tem a maior carteira de consignado do setor, com 22,6% do mercado, a alta foi de 1,2% em 12 meses, para R$ 64,2 bilhões. A Caixa também destacou o crédito consignado em seu balanço trimestral. Ele cresceu 10,4% na comparação anual (saldo de R$ 61,4 bilhões), ficando muito próximo ao desempenho do Bradesco, cuja carteira avançou 10,5% em 12 meses, para R$ 36,2 bilhões. No Santander, a alta foi ainda mais forte: 26,2% em 12 meses e 7,2% no trimestre, para R$ 16,7 bilhões.

         Entre os pequenos e médios bancos, a situação seria um pouco mais preocupante, mas ainda “gerenciável”. “Claro que fazer provisão em uma carteira com spread menor é ruim, mas isso não vai necessariamente ser uma perda final e é mais administrável do que as carteiras de créditos de empresas”, diz Jean Lopes, também da Fitch, para quem os bancos ficarão atentos à situação fiscal dos Estados.

         Entre os cinco bancos médios com maior exposição ao consignado acompanhados pela Fitch, o tamanho do crédito aos Estados é pequeno, com exceção do Paraná Banco, cuja carteira é 80% voltada para o consignado — apenas 2% disso no Rio. O Daycoval e o Intermedium, por exemplo, têm cerca de 40% da carteira de crédito em consignado.

         A exposição de Alfa e Pan é pequena. Já o Banrisul é monitorado de perto pela agência, embora no anúncio feito em sua divulgação de resultado, o banco tenha afirmado que espera conceder mais financiamentos a pessoas físicas, em linhas como o consignado para o setor público, menos afetadas pelo ciclo econômico.

         A ironia que envolve todo o imbroglio com o consignado é que o segmento era dominado pelos bancos menores. Os bancos grandes passaram a se interessar com mais força pelo consignado há cerca de cinco anos, diz Gallina, da Fitch, buscando justamente diversificação e fuga da maior inadimplência no crédito para pessoa física.

         Gallina diz, contudo, que o temor com relação à exposição ao Rio é menor do que a movimentação dos bancos para eliminar o “mau exemplo” do Estado. E que, embora exista a possibilidade de o problema se espalhar a outros Estados, ela ainda é baixa. “Temos elementos para dizer que é difícil que isto acontecer”, diz. (do Valor Econômico)